Loading...

Lula Pena

22 Ago 2015

Teatro Municipal Valadares
Caminha

Havia uma interrogação recorrente sempre que se pensava – e graças a deus pensava-se muito – em Lula Pena.

Por onde andava e porque nos víamos sucessivamente privados de ouvir novos registos da sua música, dessa maneira que tem de cantar que maravilha todos os que consigo contactam. As razões são tantas quanto as histórias, e tão puras e honestas quanto a própria música que protegem. Nascida e criada na bonita Praça das Flores, cresceu longe da televisão, com o rádio do pai uma presença constante.

Habituou-se, diz, ao “som sem a imagem social”. Recorda-se de aos 10 anos ter na escola uma professora que levava os alunos para a ponta do recreio, pedindolhes aí para fecharem os olhos e identificarem os sons que escutavam, ao perto e ao longe. Em casa, o seu irmão tocava guitarra e foi com ele, cantando juntos, que descobriu o milagre singelo da polifonia, enquanto desbravava uma discografia com Simon & Garfunkel, Bob Dylan, folk norte-americana, Beatles ou jazz.

Será essa uma parte significativa da sua educação, ainda que até hoje insista em não “procurar nada” mas sim em “ir encontrando”. Não odiava nem idolatrava ninguém nem coisa alguma, e se um dia, em miúda, pegava na guitarra para tocar uma canção de que só vagamente se recordava, tinha como possibilidade única torná-la – essa, e tantas outras – sua. Pegava em letras, reordenava-as; dava-lhes novas palavras, métrica e melodia. Diz que “a tradição tem que ser mantida viva para que seja tradição.”.

Voltar